sábado, 31 de outubro de 2020

Não foram as bruxas que queimaram.

"Não foram as bruxas que queimaram. 
Foram mulheres.
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas,
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600. 
Mulheres eram jogadas na água e se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso? 
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres."

- Fia Forsström

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Estou sentindo falta de mulherar.*Mulherar...*


_(Parte do Texto  da psicanalista Helena Albuquerque, mestre da USP)_

As mulheres costumam fazer muitas coisas juntas... 
Não é raro vê-las em pares ou em grupo no cinema...fazendo compras... viajando... olhando vitrines... andando no parque...indo a shows... a exposições... almoçando... e tudo isso sem parar de conversar (mulher fala, não?!)...

Romances... relacionamentos... rompimentos... perdas... filhos... profissão... roupas... menstruação... tpm... menopausa... exercícios... sexo etc... assunto é que não falta...
Uma grande amiga minha chama de “sair para mulherar" essas tantas atividades que fazemos juntas enquanto... ao mesmo tempo... vamos falando da vida...

As mulheres trocam confidências... expõem aquilo que vivem e seus conflitos... bordam e tricotam (literal e metaforicamente)...brigam... acompanham e cuidam umas das outras... numa troca recíproca e coletiva... 
Nas muitas atividades em companhia das amigas... aparentemente tão triviais... fios da subjetividade de cada uma de nós se entretecem e nos ajudam a virar mulher... a ser mãe... a ser amiga... a casar...a ter filhos... a descasar... a trabalhar... a enfrentar a saída dos filhos de casa... a voltar a namorar... a passar pela menopausa... a envelhecer...a fazer os lutos e tantas outras coisas...
A vida seria muito mais dura se não fossem pelas irmãs-amigas... amigas- irmãs... com as quais podemos falar e elaborar tanto as dores como as delícias que vamos experimentando ao longo da estrada...

*"Mulherar” ajuda a fabricar tecido psíquico... um tecido que vai sendo bordado coletivamente... criando novos desenhos e novas formas de pensar e dar sentido às nossas vivências e à nossa história.”*

Sentindo falta de "mulherar" 🥰

terça-feira, 27 de outubro de 2020

meus filhos


Enquanto aguardam ansiosos pela descoberta de uma vacina que os imunize contra o vírus que atordoa a humanidade, não vos esqueceis da imunização espiritual que se alcança com a vivência dos princípios do Evangelho de Jesus.
A imunização do espírito precede a imunização do corpo físico, que nada mais é do que um espelho da nossa alma.
Quanto mais o homem se inferioriza, mais ele se se fragiliza. Quanto mais ele se espiritualiza, mais ele se imuniza. Embora distantes da imunologia perfeita, dada a condição evolutiva da humanidade, ainda caracterizada pelas paixões decorrentes do orgulho e do egoísmo, as quais criam o campo mórbido favorável para a  instalação da maioria das patologias médicas, psicológicas e espirituais, o homem precisará ainda de muitas vacinas até alcançar a saúde integral do espírito. Enquanto isso, continuamos orientados quanto à necessidade de cuidarmos do corpo e da alma, atendendo às orientações da medicina da Terra, mas, sobretudo, não olvidando os apelos da medicina do Céu, através do uso diário dos remédios da oração, do amor, da humildade, do perdão e da caridade.  Vacinem o corpo, sim. Não esqueçam, porém, de vacinarem a alma!
São as singelas recomendações do nosso coração, em nome do Cristo Consolador.
Bezerra de Menezes
(mensagem recebida por José Carlos De Lucca, agosto de 2020).

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Olha que raridade. Foi escrito há dois séculos.Vale a pena ler.



Quando a tempestade passar
E se amansem as estradas
E sejamos sobreviventes
de um naufrágio coletivo.
Com o coração choroso
e o destino abençoado
Vamos nos sentir bem-aventurados
Tão só por estar vivo.

E nós lhe daremos um abraço
ao primeiro desconhecido
elogiaremos a sorte
de manter um amigo.

E aí nós lembraremos
Tudo aquilo que perdemos
e de uma vez aprenderemos
tudo o que não aprendemos.

Não teremos mais inveja
pois todos sofreram.
Não teremos mais desidia
Seremos mais compassivos.

Valerá mais o que é de todos
Que eu nunca consegui
Seremos mais generosos
E muito mais comprometidos

Nós entenderemos o frágil
O que significa estar vivo?
Vamos suar empatia
por quem está e quem se foi.

Sentiremos falta do velho
que pedia peso no mercado,
que nós não soubemos o nome dele
e sempre esteve ao seu lado.

E talvez o velho pobre
Era Deus disfarçado.
Você nunca perguntou o nome
Porque você estava com pressa.

E tudo será milagre
E tudo será um legado
E a vida será respeitada.
A vida que vencemos.

Quando a tempestade passar
Eu te peço Deus, triste.
Que nos tornes melhores.
como você nos sonhou.

(K. O ' Meara - Poema escrito durante a epidemia de peste em 1800)